Sei que fiquei fora algum tempo, mas como tá tudo muito corrido, só para postar alguma coisa, vai aí um texto sobre o movimento punk, era inicialmente um trabalho pra facul, mas pra quem tá começando a ouvir agora vale a pena ler, depois eu complemento com informações mais aprofundadas.
"There is no future!" Essa pode ter sido a primeira frase ouvida por muitos vinda dos punks. Em 1977, o Sex Pistols pregavam que não existia futuro e ironizavam a autoridade (ou a falta dela) da Rainha e o seu regime fascista. Mas a origem do Punk vem de antes daquela tarde em que Fuck foi dito por eles pela primeira vez na televisão no horário nobre, ou antes dos Pistols terem tentado estragar o jubileu da Rainha, ao alugarem um barco e tocarem "God save the Queen" a toda altura durante o evento.
Em 1974, quatro rapazes montaram uma banda chamada Ramones para ressuscitar o bom e velho rock'n'roll que estava sendo enterrado pela nova tradição progressiva. A intenção deles era ter o máximo de contato com o público e fazer ressurgir aquela música crua, rápida e dançante do rockabilly, no fim dos anos 50, até o Rubber Soul dos Beatles. O único detalhe era que nenhum deles sabiam tocar qualquer instrumento, mas pouco se importavam, eles não gostavam do rumo que a música estava tomando e decidiram fazer eles mesmos. Estava aí criada a base do pensamento punk: a de que qualquer um pode ter uma banda e de que os descontentamentos devem ser mostrados, expostos, para que assim cada um procure a sua solução é o do-it-yourself, ou seja, faça-você-mesmo.
"No mundo capitalista, onde os investimentos são realizados somente quando há garantia de retorno comercial e grandes lucros, nasce a filosofia do 'do it yourself'. Se você não concorda ou não gosta do que tem no mercado 'faça você mesmo'. Se as grandes gravadoras não investem em você, mesmo assim monte a sua banda. Grave num estúdio alternativo, distribuo para a sua tribo. Crie fanzines – as revistas alternativas, xerocadas. Divulgue suas idéias. Mostre que você existe."(UEHARA, 2006, pg 66)
Por causa das distorções da mídia ao falar sobre o Punk, ou sobre os escândalos dos integrantes do Sex Pistols, em especial os do baixista Sid Vicious, muitos encarraram aquele novo movimento como uma forma de baderna. A anarquia clamada pelas letras e pela filosofia, era visto de fora, e altamente difundido pela grande imprensa como uma bagunça, literal, jovens sem perspectiva e sem futuro pregando o vandalismo sem motivo. Entretanto, não passavam nem mesmo pela camada mais superficial de tudo aquilo para entender as críticas políticas nas letras, o comportamento de uma geração sem lugar, procurando se achar, uma nova forma de se fazer e difundir a arte. Para explicar isso é melhor a recorrer a opiniões dos próprios membros do movimento, a tentativa de um deles de tentar explicar o punk, ou pelo menos o que ele não é:
"Para começar, vou dizer o que acho que o punk não é: ele não é uma moda, um certo estilo de se vestir, uma fase passageira de falsa rebeldia contra seus pais, a ultima moda irada ou mesmo uma forma especifica de estilo ou musica, de fato. É uma idéia que conduz e motiva sua vida. A comunidade punk que existe o faz apoiar e concretizar essa idéia através da musica, da arte, de zines e outras formas de expressão de criatividade pessoal. E o que é essa idéia? Pense por si mesmo, seja você mesmo, não aceite o que a sociedade lhe oferece, crie suas próprias regras, viva sua propria vida" (ANDERSEN, Mark . Panfleto do grupo positive Force, 1985)
Entendida a idéia por trás do movimento é necessário perceber suas origens. Não da Nova Iorque dos Ramones ou de Londres dos Pistols, mas onde a música começava a levar ao punk ainda nos anos 60.
Origens
Já existiam outras bandas com a sonoridade parecida com o que viria a ser o punk, seja as bandas de garage rock americanas, nos anos 60, em especial o MC5, com o som já bastante agressivo. Os Stooges também queriam fazer um som para incomodar, e seus shows tinham um contato nunca antes visto com a platéia. Os integrantes e os espectadores dando mosh – saltos do palco para cima do publico; Iggy Pop, o vocalista, descendo do palco para parar ou arrumar brigas, ou rolando sobre os cacos de garrafas quebradas jogadas no palco. A idéia de incomodo e auto-destruição entraria ali para a história da música. E Iggy seria considerado o avó da música punk, mesmo sendo menos de uma década mais velho dos seus ditos criadores: Joey Ramone e Johnny Rotten, mas quando eles o fizeram, Iggy já era um veterano de shows e confusões.
Outra influencia grande é o Velvet Underground que cantavam sobre o submundo nova-iorquino composto por drogados, prostitutas, vagabundos e sadomasoquistas. E faziam shows chocantes coordenados pelo ícone da Pop Art, Andy Wahrol. Ainda havia o The Who, que era mainstream, eles também já estavam tocando rápido, destruindo instruentos e falando da falta de futuro para os jovens: 'I hope I die before I get old, talking 'bout my genration'
Mas talvez a maior influencia do Punk tenha sido os New York Dolls. Não pelo som cru e agressivo, mas pelo visual escandaloso. Quando o dono de uma loja de roupas, Malcolm McLaren, os viu vestidos de mulheres, com maquiagem, cabelos desgrenhados e roupas rasgadas, teve a idéia de montar uma banda daquele jeito para promover a sua boutique, Sex, no qual tinha como estilista sua esposa, Vivian Westwood. Estava ali criado os Sex Psitols, e o punk, então, tomaria o mundo.
A explosão
Em 77, quando os Pistols clamavam uma vida sem futuro para todos os jovens desempregados e desacreditados com a primeira crise do capitalismo, começou a surgir bandas punks por toda a Inglaterra e os Estados Unidos, e em pouco tempo o movimento atingiu todo o mundo ocidental. Mas por causa da sonoridade parecida e da mesma maneira de contestação poucas bandas continuam lembradas mais de trinta anos depois, quando o punk já quase não apresenta nenhuma de suas características originais e se tornou meio de fazer dinheiro para as gravadoras. Mas entre as que sobreviveram ao passar dos anos além das pioneiras já citadas tem também o Clash para completar a Santíssima Trindade do movimento. Ao misturar o punk rock com reggae e ska, então não muito conhecidos fora do Caribe, eles demonstraram ser o que talvez possa ser encarado como um xingamento para alguns punks menos esclarecidos: bons músicos. Suas inovações estão presentes na música até hoje e seu disco London Calling de 1979 é considerado um dos discos mais influentes para o rock'n'roll.
Outras bandas também bastante lembradas são o Buzzcocks, com suas letrs emocionais; o Black Flag, que seria um marco para o Hard core; o Joy Division, já considerado pós-punk, um dos primórdios para o Rock Gótico e que mais tarde com o nome de New Order mudariam a música eletrônica e a ajudariam a ser popularizada; e o Blondie, que mistura punk com disco, pop e rap, pouco conhecido fora das periferias de Nova Iorque e que ajudariam na formação do new wave.
Pós Punk
Quando Sid Vicious morreu em 79 muitos diziam que o punk morreu junto, Ele tinha 21 anos e teve uma overdose fatal de heroína. Mas o punk rock não exatamente morreu, por estar presente até hoje seja na cultura do faça você mesmo altamente disseminada em tempos de MySpace, Last.Fm e Purevolume, pela internet; seja nos três acordes que ainda compõem boa parte dos atuais hits no rádio; seja no chamado punk bubblegum, bandas com sonoridade punk e letras divertidas como o Green Day; ou seja nas bandas que insistem em se dizerem punks e manterem a filosofia anarquista, rebelde, contestadora, capaz de mudanças porém marginais como os americanos do Fugazi ou os suecos do The (international) noise conspiracy. Mas sem duvida após a morte de Sid e do lançamento do London Calling, ambos em 79, o punk mudou bastante e tomou outros caminhos, novas vertentes.
Chegou à América mais agressivo, cru e até violento, sob o nome de hard core. Algumas dessas bandas mantiveram essa sonoridade mas começaram a falar de sentimentos ,emoções e não mais de politica ou rebeldia e criaram o emo-core, ou emotional hard core. E ainda foram parar nas pista de dança e nas paradas de rádio como as novas bandas new wave, ou a nova onda após o punk. Todas essas bandas tinham o faça você mesmo como base e integrantes que não podiam ser bem chamados de músicos.
Mas na Inglaterra o fenômeno foi diferente, o pós-punk assumiu uma melancolia, com letras fúnebres e até claustrofóbicas gerando o gótico, que tinha boa qualidade musical e até faziam alguns experimentos com novas formas de se tocar. O melhor exemplo que caracteriza esta mudança talvez seja o Warsaw, uma banda punk, cru e sem muita diferença das várias outras que pipocavam pela Inglaterra, ao mudarem de nome, por um problema jurídico, viraram o Joy Division e mudaram também a sonoridade tentando criar um ambiente denso e incomodo para quem os ouvisse com suas letras extremamente melancólicas, já se diziam pós punk antes da década de 80 e foram os primeiros a assumirem o rótulo de rock gótico. Com o suicídio de Ian Curtis, o vocalista, em 80, a banda trocou novamente de nome, agora, New Order, e partiram para outra vertente do pós-punk, o eletrônico, e se firmaram como uma das principais bandas do estilo.
Nos anos 90 bandas como o Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Stone Temple Pilots e Mudhoney ressuscitaram a crueza do punk com a melancolia do pós punk e fizeram um novo movimento o grunge. Mas este também perdeu sua força com a morte de Kurt Cobain, do Nirvana em 94.
Até 1998 a banda sueca Refused lançou três manifesto sobre o rumo que o punk e a filosofia anarquista deveria tomar então: O Manifesto do Partido Refused, a Teologia do Novo Barulho e A Forma do Punk a vir. Eles criticavam o que o punk havia se tornado e apresentaram formas de fazê-lo a partir de então, começando pela dissolução da banda, para que cada integrante formasse um novo projeto e assim levar a idéia a mais pessoas. A intenção era destruir a música pop sem significado e reconstruir um punk diferente, junto da arte, da poesia, das ações pessoais pregadas por eles (como o vegetarianismo e o boicote as grandes corporações), para levar os ideais punks e anarquistas por todo o mundo, através de uma nova forma de música – ou barulho, como eles denominam -, de arte e de poesia:
"Então para onde vamos daqui? Para qualquer lugar. Desorientados, mas vivos, o tédio não nos pegará esta noite. Não há destino, mas com um objetivo em mente podemos todos ser realistas e exigir o impossível. Eles vêm pela noite, cruzando em seus uniformes e suas danças pelas ruas abafadas da cidade, dançando como loucos amantes de fim-de-semana ao som estéreo da liberação. Eles vêm como testemunhas, espectadores e participantes, loucos, selvagens, bêbados de amor e barulho. Os alto-falantes explodem e somos cegados por uma muralha de som, gritos, batidas. O movimento flui pela sala enquanto a banda se incendeia, voando pelo palco. Ingênuo, lindo porém sério e marcado. Conhecimento flui como água e este novo jogo este novo começo, é tão implacável e preciso como a bala que a CIA usou para matar Kennedy. O cheiro de perfume e perspiração flui pelo ar enquanto seguramos um ao outro, dançando ao manifesto. Isto pode ser a forma do punk a vir, a teologia da libertação em prática, união por despeito aos governantes, o conjunto de nossas partes formando a mordaça na boca da voz do status quo, bordado em pano por cada pedaço de linha de nossa provocação, costurado para servir como a camiseta em minhas costas. ... ou poderia ser apenas mais um romance de final de semana do punk rock..."
(Manifesto do Partido Refused, 1998)
Na atualidade, algumas bandas imitam a sonoridade do Buzzcocks e suas letras sentimentais e formaram o movimento emo. Enquanto outras voltaram com a idéia do faça-você-mesmo, de que qualquer um pode ter uma banda, seja para contestação ou para a diversão, e a falta de capacidade de manejar instrumentos e criaram o New Rave, cujos maiores expoentes são os Klaxons e a banda brasileira Cansei de ser Sexy.
O que vem pela frente não se sabe, mas pelo que parece Johnny Rotten estava bastante errado quando clamou que não existia futuro há mais de 30 anos.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
sábado, 1 de novembro de 2008
Peguei o mundo
De volta
Num caminho
Sem ida
Não sabia onde estava
Não sabia como ficar
-Vai,vai,vai,
Não importa,
Vai,
Para onde você quiser ir
Vai!
E quando você se perguntar
- como eu cheguei aqui
ou o que é Aqui -
Não olhe para traz de sua vida
Siga sempre em frente
Até entender onde está
E aí,
Continue seguindo
Sempre
De volta
Num caminho
Sem ida
Não sabia onde estava
Não sabia como ficar
-Vai,vai,vai,
Não importa,
Vai,
Para onde você quiser ir
Vai!
E quando você se perguntar
- como eu cheguei aqui
ou o que é Aqui -
Não olhe para traz de sua vida
Siga sempre em frente
Até entender onde está
E aí,
Continue seguindo
Sempre
Escrever por escrever
Escrever por precisar
Minhas mãos trêmulas
Procuram em quê se apoiar
E tudo que posso dá-las
Agora
É esta caneta,
Este papel
E esperar que
Ao sentar e respirar
Eu consiga
Relaxar
De tudo que não sei o que é
E rabiscar algumas palavras
Aleatórias
Non-sense
À toa
Enquanto tento ficar tranqüila
E lembrar-me de respirar com calma
Até tudo
Espero
Passar
Escrever por precisar
Minhas mãos trêmulas
Procuram em quê se apoiar
E tudo que posso dá-las
Agora
É esta caneta,
Este papel
E esperar que
Ao sentar e respirar
Eu consiga
Relaxar
De tudo que não sei o que é
E rabiscar algumas palavras
Aleatórias
Non-sense
À toa
Enquanto tento ficar tranqüila
E lembrar-me de respirar com calma
Até tudo
Espero
Passar
Blue Lips
Seus beijos ainda queimam meu interior
Mas se antes pelo ardor da paixão
Agora de congelar meus sentimentos
Seus beijos ainda têm a mesma intensidade
Mas o que era bom e eterno
Vive na fantasia de ser ao menos real
Seus beijos ainda são desesperados
Mas o desejo imediato por meu ser
Foi trocado pela simples vontade de existir
Seus olhos azuis gelam minha alma
E seus tristes lábios me passam melancolia
Que ocupa todo seu ser e contagia seu redor
... e aquela que tanto amou
só lhe é, então, meio
Mas se antes pelo ardor da paixão
Agora de congelar meus sentimentos
Seus beijos ainda têm a mesma intensidade
Mas o que era bom e eterno
Vive na fantasia de ser ao menos real
Seus beijos ainda são desesperados
Mas o desejo imediato por meu ser
Foi trocado pela simples vontade de existir
Seus olhos azuis gelam minha alma
E seus tristes lábios me passam melancolia
Que ocupa todo seu ser e contagia seu redor
... e aquela que tanto amou
só lhe é, então, meio
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
I found the cure to growing older
Eu sei que nção devo ser a primeira criança a escrever sobre corrupções
mas fato é
Eu me recuso a crescer e entrar no mundo das minhas linhas
no chamado mundo real
onde trabalho é pago com papel
gente é morta por papel
morte é econmentada por papel
morte é autentificada por papel
guerras são feitas por papel
mas se esquecem de separar o lixo do papel
Parem de cotar as arvores!
Parem de fazer mais papel
ou nunca estarão satisfeitos
pois o tarde demais vai ficar com as suas crianças
e é por isso que eu resisto
não quero estar aí dentro
Criancas!
-Pensam que vão mudar o mundo
Novidade: Pensamos mesmo, para tentar consertar aquilo que vocês fazem quando não estão pensando
(ou seja, quase sempre)
Vivemos na resistencia
para continuarmos vivos
para manternos vivos
para estar aqui
e para garantir que o aqui continue
Crianças do mundo, uni-vos!
Se não querem se ver encoleirados com gravatas de seda e trancados em ambientes artificiais enquanto se refrescam no pesadelo refrigerado já que o sol hoje está sufocante
Para quem não quer ser aqueles que vivem por papel, matam por papel e morrem por papel,
Enquanto o tempo espera para te enterrar vestindo um terno de madeira que custa papel.
Não se esqueçam
Não agir significa:
VOCÊ TEM UM MUNDO A PERDER!
mas fato é
Eu me recuso a crescer e entrar no mundo das minhas linhas
no chamado mundo real
onde trabalho é pago com papel
gente é morta por papel
morte é econmentada por papel
morte é autentificada por papel
guerras são feitas por papel
mas se esquecem de separar o lixo do papel
Parem de cotar as arvores!
Parem de fazer mais papel
ou nunca estarão satisfeitos
pois o tarde demais vai ficar com as suas crianças
e é por isso que eu resisto
não quero estar aí dentro
Criancas!
-Pensam que vão mudar o mundo
Novidade: Pensamos mesmo, para tentar consertar aquilo que vocês fazem quando não estão pensando
(ou seja, quase sempre)
Vivemos na resistencia
para continuarmos vivos
para manternos vivos
para estar aqui
e para garantir que o aqui continue
Crianças do mundo, uni-vos!
Se não querem se ver encoleirados com gravatas de seda e trancados em ambientes artificiais enquanto se refrescam no pesadelo refrigerado já que o sol hoje está sufocante
Para quem não quer ser aqueles que vivem por papel, matam por papel e morrem por papel,
Enquanto o tempo espera para te enterrar vestindo um terno de madeira que custa papel.
Para todos aqueles que não querem ser alguém no mercado de trabalho que se importa em construir propriedades e destruir vidas
E para esses mesmo que tantas vezes já ouviram que nunca vão ser ninguém,
Não é preciso, já somos nós mesmo, você é que ainda, quem sabe, vai vir a ser qualquer coisa
Não se esqueçam
Não agir significa:
VOCÊ TEM UM MUNDO A PERDER!
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
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