A toa andava de trem
não me lembro para onde
ou por quê
De repente te vi ali
tão perdido quanto eu
tão sozinho quanto eu
Papo banal, para passar o tempo
para tirar o eterno tédio de minha vida
por alguns instantes
E aí então senti algo diferente
senti poder falar contigo
falar sobre mim
sobre o mundo
sobre tudo
Rimos, brincamos, até mesmo cantamos
Não me lembro da ultima vez que tanto falei
com um desconhecido, nunca
mas nem mesmo com amigos
Sabia poder confiar em ti
só não sei porque eu sabia
A vida então perdida
ganhou novas paisagens
(as que passavam
rápido
pela janelo ao lado
já não satisfaziam)
Iámos para o mesmo lugar
Vindo da mesma direção
Sentado ao meu lado
Erámos como Jesse e Celine
mesmo eu não sabendo seu nome
ou tu como me chamar
Não era preciso
eu estava bem ali
-junto a ti-
Nosso caminhos podem nunca se cruzarem de novo
Acreditar nisso seria utopia adolescente
Mas o que somos então?
Dois perdidos no mundo
Indo na mesma direção
e dando sentido à vida do outro
entre algumas paradas
em uma tarde qualquer
para sempre em minha lembrança
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